"Diário do Inferno" funciona como uma memória do período que compreende todo o desgoverno Bolsonaro até os eventos de 8 de janeiro de 2023.
São charges e textos de Miguel Paiva publicados, primeiro no Jornal do Brasil impresso e online, e depois no Brasil 247. Voltar a fazer charges trouxe novamente para o cartunista a inquietação e a efervescência política. Facilitado pelo país quase surreal em que se tornou o Brasil, suas charges e crônicas contam de forma crítica a trajetória muito doida que esse governo impôs ao país. É um modo de resistir e se divertir.
Foi um tempo infernal e infeliz de um passado recente que nos botou em um lugar fechado, asfixiante. Mas Miguel Paiva nos abria portas e janelas com seus desenhos e palavras que deixavam entrar o oxigênio do humor, da inteligência e da perspicácia. Ufa!
Respirávamos melhor. Num certo momento, ele anunciou em alto e bom som: é muito doido o que virou o Brasil. E, a partir desta constatação, o artista, chargista, desenhista, escritor, dramaturgo passou a traduzir a doideira desses intermináveis dias de trevas, com graça e leveza.
Memória do Traço retrata a época e a trajetória do cartunista, Miguel Paiva artista gráfico e escritor Miguel Paiva.
Nascido em 1950 no Rio, Miguel iniciou sua carreira nos anos 60, e no final da década publicava no Pasquim, no Correio da Manhã e na revista O Cruzeiro.
Morou na Itália por 6 anos, onde colaborou com muitas revistas de quadrinhos da Europa, como Linus, Corriere dei Piccoli e Pardon.
De volta ao Brasil, criou a série Happy Days para a IstoÉ, e os personagens Radical Chic, Ed Mort (com Luís Fernando Veríssimo), Gatão da Meia Idade e Chiquinha, publicados no Jornal do Brasil e O Globo, dentre outros.
Trabalhou com Ziraldo, escreveu musicais com Zé Rodrix e conviveu com muita gente - de Umberto Eco a Paulo Leminski, de Paulo Freire a Carlos Lacerda, dos Mutantes a Bobby Short.
Atualmente, desenha, pinta e trabalha como roteirista de cinema e TV.
A Radical foi a primeira personagem de quadrinhos a posar nua para a Playboy – e contratada e tratada dentro da revista com o mesmo esmero que uma pessoa de fato, a não ser pelo cachê, que evidentemente foi menor. O convite veio da própria Playboy, e conquistar esse espaço improvável para um personagem de quadrinhos me deixou bastante realizado.
Fui, porém, muito criticado por ter aceitado o convite. A Radical possui certo caráter simbólico, e muitas mulheres viram essa decisão como uma discreta traição da causa, como se uma feminista tivesse aceitado submeter seu corpo à tal função mercantilista. Cheguei a ouvir que não poderia jamais tirar a roupa da Radical para uma revista masculina e, por mais que não concordasse, essa tensão me preocupou.
O convite para ilustrar esse livro veio diretamente do dono da editora Brasiliense e seu editor, Lilia Moritz Schwarcz. Da Colônia ao Império, um Brasil para Inglês Ver, seria parte da coleção Redescobrindo o Brasil e com o texto da própria Lilia. Fiz toda a parte gráfica e o livro foi um sucesso alcançando um vendas espetaculares.
Após o sucesso do Da Colônia ao Império, fui convidado para ilustrar Olha Lá o Brasil com texto de Julio José Chiavenatto, sobre o descobrimento.